Blog 31/03/2026

VIVA na COP15: ciência, cooperação e conservação em escala global

Durante os dias 22 a 28 de março de 2026, o VIVA Instituto Verde Azul esteve presente na 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15 da CMS), realizada em Campo Grande. A instituição foi representada por seu diretor, Márcio Motta, reforçando o compromisso do VIVA com a conservação da biodiversidade marinha e das aves migratórias.

Entendendo a COP

A Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS) é um tratado internacional juridicamente vinculante, estabelecido no âmbito das Nações Unidas. Trata-se de um dos principais instrumentos globais para a conservação da vida silvestre, com papel estratégico no enfrentamento da crise da biodiversidade.

A CMS promove a cooperação internacional entre os chamados Estados de Distribuição — países pelos quais as espécies migratórias transitam ao longo de seus ciclos de vida —, apoiando pesquisas, acordos multilaterais e ações coordenadas de conservação. Seu objetivo central é garantir a sobrevivência a longo prazo das espécies migratórias e de seus habitats, bem como dos serviços ecossistêmicos associados.

Atualmente, 132 países, além da União Europeia, são Partes da Convenção. Adicionalmente, diversos países não membros aderiram a acordos específicos vinculados à CMS.

A Conferência das Partes (COP) é o órgão decisório da Convenção e se reúne a cada três anos para avaliar o progresso das ações, incluir novas espécies nos Anexos e fortalecer medidas frente a ameaças emergentes. A agenda da COP é sustentada por uma base científica robusta, assegurando que as decisões políticas reflitam as melhores evidências disponíveis sobre tendências populacionais, pressões antrópicas e estratégias de conservação.

O contexto da COP15

Diante de evidências crescentes de declínio populacional e aumento do risco de extinção de diversas espécies migratórias, os governos reunidos na COP15 concordaram em ampliar os esforços de conservação. Foram adotadas novas ou reforçadas medidas de proteção para 40 espécies e populações de aves, fauna aquática e espécies terrestres.

Entre as espécies destacadas estão a ariranha, o guepardo, a hiena-listrada, a coruja-das-neves, o tubarão-martelo-grande e diversas aves marinhas que apresentam declínios acentuados.

As Partes aprovaram a inclusão de 40 novas espécies ou populações nos Anexos I (espécies ameaçadas de extinção) e II (espécies que requerem cooperação internacional), elevando para mais de 1.200 o número de espécies abrangidas pela Convenção, em vigor há 47 anos.

Também foram aprovados planos de conservação multiespecíficos em regiões prioritárias, como a Amazônia. A conferência foi marcada pela divulgação de novos dados indicando que muitos indicadores-chave de biodiversidade continuam em tendência negativa. Entre os principais vetores de pressão estão a perda e fragmentação de habitats, a sobre-exploração, barreiras de infraestrutura e impactos cumulativos em escala global.

Além disso, foram enfatizadas ameaças emergentes e persistentes, como mineração em águas profundas, mudanças climáticas, poluição por plásticos, ruído subaquático, captura incidental na pesca e a caça ilegal de fauna silvestre.

A abertura da COP15 foi marcada por alertas contundentes da comunidade científica e de lideranças políticas, destacando a necessidade de respostas coordenadas em escala internacional. Entre os principais pontos discutidos:

  • Indicadores globais apontam aumento do risco de extinção e declínio populacional de espécies migratórias

  • A fragmentação de habitats, captura incidental e barreiras antrópicas seguem como pressões centrais

  • A conectividade ecológica foi reafirmada como elemento-chave para a conservação

  • Houve avanço na integração de conhecimentos tradicionais e locais aos processos científicos e decisórios

Ao todo, participaram mais de 2.600 delegados, e foram aprovadas 39 resoluções abrangendo desde conservação de habitats e conectividade até o enfrentamento de ameaças críticas.

Principais resultados da COP15

Para o VIVA Instituto Verde Azul, a participação na COP15 representou uma oportunidade estratégica de inserção em discussões de alto nível, especialmente no que se refere à conservação de cetáceos e aves marinhas. O evento também possibilitou o intercâmbio com instituições nacionais e internacionais, além da apresentação das ações desenvolvidas pelo instituto nas áreas de pesquisa, monitoramento e educação ambiental.

Com o encerramento da conferência, o Brasil assume a presidência da CMS para o próximo triênio, o que representa uma posição de destaque na governança global da biodiversidade. A próxima Conferência das Partes, a COP16, está prevista para ocorrer em Bonn, em 2029, coincidindo com o 50º aniversário da Convenção — também conhecida como Convenção de Bonn.

No contexto atual de intensificação das pressões sobre a biodiversidade, a COP15 reforça um ponto central: a conservação de espécies migratórias depende, necessariamente da restauração e regeneração dos ecossistemas através de cooperação internacional, integração de conhecimento científico e ações coordenadas ao longo de toda a extensão de suas rotas.


Sobre os Anexos da CMS

O Anexo I inclui espécies migratórias ameaçadas de extinção em toda ou em parte significativa de sua área de distribuição. Os Estados de Distribuição devem adotar medidas rigorosas de proteção, incluindo a proibição de captura, a conservação e restauração de habitats, a mitigação de barreiras à migração e o controle de fatores de ameaça.

O Anexo II contempla espécies que necessitam de cooperação internacional para sua conservação e manejo. Inclui também aquelas cujo estado de conservação pode ser significativamente beneficiado por acordos multilaterais, envolvendo planejamento conjunto, monitoramento coordenado e compartilhamento de dados.

Uma mesma espécie pode constar em ambos os Anexos quando apresenta alto grau de ameaça e, simultaneamente, demanda ações coordenadas em escala internacional.


Um pouco da diversidade de Campo Grande, MS

A cidade de Campo Grande abriga áreas de cerrado muito importantes para a região, como o Parque das Nações Indígenas, Parque Estadual do Prosa e Parque Estadual Matas do Segredo. Durante a COP15 foi possível registrar algumas espécies, bem como realizar registros importantes para a conservação das aves através das listas no eBird (Relatório de Viagem) e iNaturalist.

 

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